sexta-feira, 20 de março de 2009

Não há vacina contra o Vaticano?

"Para o Vaticano, o sexo é só para procriar, em fiel e heteromonogamia. Tudo o resto é pecado mortal - e se mata, azar."

Fernanda Câncio, jornalista, "DN", 20-03-2009

sábado, 14 de março de 2009

(Poem) To Nico/ Janitor Of Lunacy




está escuro.

nico, aquele ambíguo nome-mulher, coração esfarrapado,
pega na sua bicicleta (comprada na sua Alemanha-natal pelos pais)
e dirige-se à igreja mais próxima, à procura da rendição possível.
perdida em espasmos, numa interioridade labiríntica, sem retorno ou luz.

sem conseguir chorar,
inexpressiva,
entra no templo.
escapa-se-lhe o sentido de tempo.

ajoelha-se no altar e os seus olhos vagueiam.
olham para o vago do tecto despido.
nos seus ouvidos hospeda-se um velho órgão, oteverme fúnebre.
antecâmara lenta.

nenhum organista no templo.
só ela e o velho órgão, que toca por si.
só um organismo... em disfunção.
em decomposição emocional.

non hay banda, non hay orchestra.
non hay player, mas ainda assim...
a memória do coro infantil em que era apenas mais uma, na missa
dominical há 41 anos atrás, está em play contínuo na sua mente.

nico olha para debaixo da cama da sua «camara escura».
e avista, sem distorções psicotrópicas, todos os fantasmas que lhe
roubaram a inocência.
parecem frames feitos filme,
mais bizarro do que qualquer um que um dia tenha criado com e para o
dandy Warhol.
vê os monstros que lhe rasgaram a virginal vagina.
e o sorriso rasgado de outrora rasgado, desfeito.

finalmente, chora uma canção, ao morrer.
dolce morte.
a possível.




(Escultura do hiper-realista Ron Mueck)

quinta-feira, 12 de março de 2009

«Wild At Heart» ou No Fio da Navalha



À hora da morte, esvaída em sangue, na sequência de um brutal acidente, a rapariga aborda, delirante, um foragido e a sua apaixonada, «on the road», a desafiar a lei, que resolvem parar o carro para «ajudar» os eventuais sinistrados:


«Onde está a minha carteira? Não a encontro... A minha mãe vai-me dizer das boas. A minha mãe vai-me matar. Onde está o meu batôn? Deixem-me só»


Absurdamente belo.