segunda-feira, 13 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
[Ciberdúvidas Cívicas] Porquê Durão de Barro, perdão, Barroso?
Era uma vez um cidadão - sempre com as suas dúvidas sobre política - diante de uma televisão, a «consumir» notícias atrás de notícias, e a tentar não perder o pé para a alienação e a procurar absorver e interpretar o que vai observando.
Esse mesmo cidadão - português, europeu, global - é informado de que CDS, PSD e, não obstante algumas discordâncias internas (Ana Gomes, Vera Jardim, Vital Moreira e Mário Soares), PS apoiam a reeleição de Durão Barroso à frente dos destinos da Comissão Europeia.
Todas as posições partidárias serão legítimas, se decididas democraticamente, pensa o cidadão. Provavelmente todos os apoios assentam num misto de razões e emoções, admite o natural da coisa. Não lhe parece que o apoio político a quem quer que seja, de facto, aconteça exclusivamente por força da Razão (que, aliás, também tem os seus defeitos).
Por outro lado, o tal cidadão ainda tem a ilusão de que, da presidência de uma instituição cujas decisões afectam todos os europeus, são feitos balanços dos mandatos pelos 27 e, a partir daí, são construídos e divulgados argumentários favoráveis, desfavoráveis ou «de 3ª via» à renovação do seu presente líder e da sua equipa.
É possível que tais argumentários sejam delineados e ampliados nos próximos tempos e espera o cidadão que os media, ao divulgá-los, não revelem apenas os mais básicos pseudo-argumentos e emoções, para este não se sentir enganado, nem partir de pressupostos redutores para formar opinião.
Hoje, ficou a saber, por Paulo Portas (CDS) e por Zita Seabra (PSD), que o apoio de ambos - embora Portas assinale discordâncias fortes de Barroso - se sustenta numa ideia: «é uma honra para Portugal ter um presidente da CE português». Zita Seabra chega a dizer num «frente-a-frente» algo como «antes de europeus, devemos ser portugueses» e não avança muito mais, quando tem mais tempo para argumentar.
Ironicamente, o tal famigerado português apoiado por alguns só por ser um português é o mesmo português que abandonou Portugal, enquanto o «governava»; é o mesmo português que ora esteve na Base das Lajes a sorrir para Bush, Blair e Aznar na «Cimeira da Vergonha» - no arranque da Guerra do Iraque -, ora fez o mesmo ao oponente de Bush, Barack Obama, muito crítico dessa mesma guerra. Ironicamente, este português é o mesmo que propôs que a carga de horário laboral na UE pudesse ir até as 65 horas por semana, uma medida felizmente rejeitada no Parlamento Europeu.
Um cidadão - que tem mais perguntas do que respostas - questiona-se, perante um pseudo-argumento, de cariz nacionalista: porquê tem que ser português? qualquer português serve? porque é que este merece uma segunda oportunidade? não há mais argumentos, além de um patriotismo bacoco e contraditório?
Apoiantes de Durão Barroso à presidência da CE, expliquem - como ele tivesse que votar - ao cidadão confuso que existem outros motivos para a reeleição do Durão Barroso, por favor. Certamente existirão e ele realmente ficou alienado com o desfilar das notícias e perdeu o essencial.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Não há vacina contra o Vaticano?
"Para o Vaticano, o sexo é só para procriar, em fiel e heteromonogamia. Tudo o resto é pecado mortal - e se mata, azar."
Fernanda Câncio, jornalista, "DN", 20-03-2009
Fernanda Câncio, jornalista, "DN", 20-03-2009
sábado, 14 de março de 2009
(Poem) To Nico/ Janitor Of Lunacy
está escuro.
nico, aquele ambíguo nome-mulher, coração esfarrapado,
pega na sua bicicleta (comprada na sua Alemanha-natal pelos pais)
e dirige-se à igreja mais próxima, à procura da rendição possível.
perdida em espasmos, numa interioridade labiríntica, sem retorno ou luz.
sem conseguir chorar,
inexpressiva,
entra no templo.
escapa-se-lhe o sentido de tempo.
ajoelha-se no altar e os seus olhos vagueiam.
olham para o vago do tecto despido.
nos seus ouvidos hospeda-se um velho órgão, oteverme fúnebre.
antecâmara lenta.
nenhum organista no templo.
só ela e o velho órgão, que toca por si.
só um organismo... em disfunção.
em decomposição emocional.
non hay banda, non hay orchestra.
non hay player, mas ainda assim...
a memória do coro infantil em que era apenas mais uma, na missa
dominical há 41 anos atrás, está em play contínuo na sua mente.
nico olha para debaixo da cama da sua «camara escura».
e avista, sem distorções psicotrópicas, todos os fantasmas que lhe
roubaram a inocência.
parecem frames feitos filme,
mais bizarro do que qualquer um que um dia tenha criado com e para o
dandy Warhol.
vê os monstros que lhe rasgaram a virginal vagina.
e o sorriso rasgado de outrora rasgado, desfeito.
finalmente, chora uma canção, ao morrer.
dolce morte.
a possível.
(Escultura do hiper-realista Ron Mueck)
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quinta-feira, 12 de março de 2009
«Wild At Heart» ou No Fio da Navalha
À hora da morte, esvaída em sangue, na sequência de um brutal acidente, a rapariga aborda, delirante, um foragido e a sua apaixonada, «on the road», a desafiar a lei, que resolvem parar o carro para «ajudar» os eventuais sinistrados:
«Onde está a minha carteira? Não a encontro... A minha mãe vai-me dizer das boas. A minha mãe vai-me matar. Onde está o meu batôn? Deixem-me só»
Absurdamente belo.
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